segunda-feira, 26 de maio de 2008

Pra não perder o costume

Esse é um texto antigo meu, de bem antes do blog ser criado, estava fuçando nos meus arquivos e achei, espero que gostem.

Abraços!

- PRONOMES -

EU achei que teria aconchego em teu seio
TÚ me fez parecer que daria certo quando
ELE deixou de existir em seu viver, até que
NÓS perdemos o rumo e deixamos que
VÓS e vossos sonhos de liberdade tomassem frente,e
ELES, os seus e os meus defeitos surgiram fazendo do acaso...
Um adeus...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Muita hora nessa calma...

Calma, calma, calma. Não criemos pânico.

Continuo vivo, só que sem internet em casa há três semanas.

Ô Telefonica maldita!!!

Abraços.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Saiu no Observatório da Imprensa

MÍDIA E POLÍCIA

Se o pão é pouco, aumente-se o circo

Por Carlos Brickmann em 22/4/2008

Já se falou, sobre o caso, do filme A montanha dos sete abutres [ver aqui]; lembremos agora o imortal samba De frente pro crime, dos grandes João Bosco e Aldir Blanc.

Diante do corpo estendido no chão, "o bar mais perto depressa lotou/ malandro junto com trabalhador/ um homem subiu na mesa de um bar/ e fez discurso pra vereador".

A menina Isabella, 5 anos, morreu estendida no chão, atirada pela janela de um prédio. O crime comoveu São Paulo; a audiência dos telejornais subiu 46%. E, na guerra de audiência, vale tudo: vale provocar comoção popular, vale juntar multidões em frente à casa dos parentes da menina morta, vale dizer o horário em que o tio da prima da vizinha do porteiro almoçou, vale transformar tudo em espetáculo. Sigilo do processo? Besteira: as autoridades devem estar roucas de tanto dar entrevistas. Chegou-se ao extremo de providenciar banheiros químicos e uma tenda, gastando dinheiro público, para atender à multidão de curiosos que se aglomeraria em frente ao local onde dois suspeitos prestariam depoimento.

"Veio um camelô vender pastel/ cordão, perfume barato/ E a baiana pra fazer pastel/ e um bom churrasco de gato/ Quatro horas da manhã, baixou/ um santo na porta-bandeira/ e a moçada resolveu parar, e então/ tá lá o corpo estendido no chão."

Há tempos, em algum lugar do país, num desses casos rumorosos, um advogado procurou o delegado que tomaria o depoimento de seu cliente e lhe perguntou se era possível comparecer à delegacia sem alarde, sem multidões. O delegado disse que não: recebera ordens "de cima", para avisar o horário do depoimento, e permitir que os "de cima" chamassem imprensa e multidão. As autoridades se aliam à imprensa para transformar a investigação em show, a punição dos culpados em linchamento, a Justiça em espetáculo. Instiga-se a população a descrer do processo judiciário democrático e a pedir justiça com as próprias mãos.

Quem matou Isabella? Há dois suspeitos e uma certeza: se a investigação não seguir os caminhos corretos, legais, discretos, com coleta de provas, com a construção precisa e científica da acusação, será difícil ter a resposta. Afinal de contas (e isso se sabe desde o episódio de um certo Barrabás, ocorrido há muito tempo, quando nenhum de nós havia ainda nascido) berreiro nas ruas não é justiça.


Prender, condenar

Autoridades e imprensa formam, nesse tipo de caso, um casal inseparável: um não existe sem o outro. A TV não pode viver exclusivamente das informações sobre o cardápio do café da manhã do tio de um dos suspeitos; precisa de autoridades prestando declarações indignadas. As autoridades precisam da imprensa para aparecer na TV e nos jornais, para desfrutar os instantes de fama, para ganhar prestígio junto aos escalões superiores. E, enquanto um desfruta do outro, esquece-se o importante: a juntada de provas. Depois, quando o acusado é absolvido, vem aquela conversa surrada de que a polícia prende e a Justiça solta. Não é bem assim: não há juiz que deixe de condenar se houver provas concretas.


A voz do advogado

Texto sobre o caso Isabella, publicado no portal Migalhas, na segunda-feira (14/4), assinado pelo advogado Edgard Silveira Bueno Filho, do escritório Lima Gonçalves, Jambor, Rotenberg & Silveira Bueno:

"Não sou advogado criminalista. Não tenho qualquer interesse no caso, mas não consigo não me indignar com esses abusos que são cada vez mais freqüentes em nosso país. Temos que nos decidir se somos ou não somos um estado de direito que, antes de julgar as pessoas, deve observar o devido processo legal. Senão, é o caso de voltarmos ao estágio da vingança e do apedrejamento em praça pública. Mas não reclamemos quando a vítima vier a ser um de nós."


O caso Cabrini

Culpado ou inocente?

Se este colunista soubesse a resposta, todo o pessoal da polícia que se dedica à investigação e elucidação de crimes poderia aposentar-se e ficar em casa. E o problema, numa coluna dedicada a comentários sobre a imprensa, é outro: é o que está sendo divulgado sobre o caso do jornalista Roberto Cabrini.

Há muita coisa esquisita na história. Primeiro, tudo o que este colunista já leu sobre drogas indica que pessoas de bom poder aquisitivo não vão a locais perigosos para fazer suas compras: têm o privilégio de recebê-las a domicílio, entregues por pessoas bem-vestidas e de aparência insuspeita. Segundo, não compram drogas "picadas", mas em quantidade suficiente para algum tempo de consumo. O livro de Nélson Motta sobre Tim Maia, por exemplo, em várias passagens faz referências a sacolinhas de cocaína, a pacotes (ou latas) de maconha.

Terceiro, a história do carro. Tudo bem, um belo automóvel importado num lugar estranho merece investigação. A polícia se aproxima, o dono do carro mostra seus documentos em ordem, diz que está lá por livre e espontânea vontade, não há ninguém por perto a ameaçá-lo. Por que, então, revistar o carro?

A história de Cabrini também é curiosa. Pode ser que, para conquistar a confiança do tráfico, tenha cheirado alguma coisa. Às vezes acontece. Aliás, se fosse viciado, teria a saída pronta: sou viciado, sim, preciso de ajuda e tratamento, não tive a coragem de fazê-lo até agora por ser uma pessoa pública, e peço que os sacerdotes da Igreja Universal, ligada à Rede Record, me ajudem a sair deste problema. Ao não optar por essa solução, Cabrini mostrou a confiança que tem em sua história.

O que se espera é que a imprensa, no caso do colega, se comporte como se fosse uma pessoa de outro ramo: acompanhe as investigações, noticie, comente, sem a preocupação de atingir um concorrente ou de beneficiar um companheiro. E, claro, sem deixar que a eventual inveja do colega que ganha bem e tem notoriedade influencie a cobertura. É difícil; mas o próprio caso de Pimenta Neves, jornalista bem pago e bem sucedido, que matou a ex-namorada, mostra que a imprensa é capaz de noticiar seus problemas com correção e isenção.


Como é mesmo?

Tudo saiu na mesma notícia, num respeitado portal da internet:

Título: "PF apreende mais 6 PCs da Casa Civil"

Texto (parte 1): "A Polícia Federal apreendeu na tarde desta terça-feira (8) sete computadores na Casa Civil da Presidência da República."

Texto (parte 2): "Segundo a PF, foram apreendidos cinco computadores portáteis e um de mesa."

Pode chamar os universitários: quantos computadores foram apreendidos? Por enquanto, o 6 está ganhando do 7 por 2x1.


D’além túmulo

Texto publicado num grande jornal: "Em 1993, foi a vez de Courtney Love e Kurt Cobain (morto, ex-vocalista do Nirvana) passearem pelo lobby".

Dizem que o falecido até hoje aprecia muito o local.


E eu com isso?

Caro colega, o mundo está por demais complicado. Assaz complexo. Tem autoridade querendo ser popstar, tem coleguinha que já é popstar querendo ser autoridade, coisa muito chata. Mas temos notícias absolutamente necessárias, essenciais, que com certeza farão de nosso dia-a-dia algo muito diferente. Por exemplo:

1. "Grávida de seis meses, Nicole Kidman sofre de enjôos matinais"

2. "Amy Winehouse não é uma boa babá"

3. "Victoria Beckham é flagrada em supermercado de Beverly Hills"

Esta é de cocheira: sabem o que é que ela estava fazendo? Compras!


O grande título

Coisas finas, coisas finas. Comecemos com um título da seção de Gastronomia de um jornal conhecido, de grande circulação:

** "Carne de temperamento difícil e sabor agradável"

Esclarecer que a notícia está na seção de Gastronomia é essencial. Sem esse esclarecimento, que é que nosso leitor poderia pensar? Mas não é nada disso, não: trata-se de uma referência a costelinhas de cordeiro.

O próximo é da seção de Ciências, área de Medicina Popular:

** "Chifre pode matar se virar afrodisíaco"

De novo: se não tivéssemos esclarecido a seção em que saiu esse título, que é que o leitor poderia pensar?

E temos a obra-prima da semana:

** "Salsichas octogenárias no subsolo de metrô apetitam"

Um dia alguém certamente o explicará.

O Caso Isabella e a mídia

Por Boni

http://bloglog.globo.com/boni/

Não há como fugir do assunto.

A mídia, no entanto, tem que se policiar.

Não dá para roer os ossos.

Com a carga dramática que o crime encerra a mídia não pode carregar nas tintas e acentuar o que já é trágico por si só.

Há , inclusive, o risco de saturação em qualquer veículo.

De repente ninguém aguenta mais.

Não quero avaliar se este ou aquele veículo fez uma cobertura mais correta, mas a coisa está ficando insuportável.

Creio que só a informação factual interessa agora.

Se nada de novo houver para dizer, se nenhum fato novo ocorrer, insistir no assunto é perigoso.

Especialmente a televisão, pela sua agilidade, tem que se comportar nessa linha factual.

A cobertura de casos que provocam uma comoção nacional é cheia de armadilhas e as distorções de cobertura ocorrem no mundo inteiro.

Aconteceu aqui nos Estados Unidos com o O.J. Simpson.

Aconteceu na Europa com o desaparecimento da Madeleine em Portugal.

Mas tem uma hora que chega.

Vira cachorro correndo atrás do próprio rabo.

Por isso guerra de audiência não vale.

Quando o drama não for mais manchete dos jornais e não segurar mais o IBOPE da TV, tudo voltará ao que era antes.

Mas se houver sensacionalismo as marcas da exploração demoram para ser apagadas.


Meu verdadeiro adeus ao Peixe

Ao Peixe, com carinho

"Quando eu nasci, Deus olhou pra mim e disse: Esse é o Cara!"

E realmente ele é o cara, aos 42 anos de idade, mais da metade dedicado ao futebol e 1002 gols depois, o Baixinho anunciou sua aposentadoria.

Vai deixar saudade.

Principalmente num tempo marcado por discursos prontos, "bom mocismo", hipocrisia e (em alguns casos) pouquissimo futebol, a irreverência e genialidade do Peixe farão muita falta.

Dono de frases e tiradas incomparáveis como a que inicia esse texto, ou então "O Pelé de boca fechada é um poeta" entre tantas outras, o Peixe fez o que quis no futebol, e com certeza aproveitou mais do que qualquer outro atleta na história a sua carreira.

Apesar da irreverência e do bom humor, o Baixinho também soube ser sério quando preciso, dentro e principalmente fora de campo. Quando muitos poderiam pensar que a vida pudesse ter lhe pregado uma peça, Romário foi exemplo de pai e de homem ao abraçar a causa e tornar-se embaixador dos portadores de Síndrome de Down desde o nascimento de sua filha Ivy que é portadora da síndrome.

Romário foi um gênio da bola, o "gênio da grande área" como o apelidou Johan Cruyff, foi artilheiro, ganhou fãs, admiradores, amigos e desafetos, ganhou uma Copa e será eterno ídolo do futebol.

A nós, meros mortais, caberá apenas o dever de dizer aos nossos filhos, sobrinhos e netos aquilo que nossos pais, tios e avós já nos disseram sobre os gênios de outros tempos:

Eu vi Romário jogar... e ele jogava pra ca#@&*o!!!!

Tirado do Blog do Juca

Assim falou Zaratustra

Por ROBERTO VIEIRA

Nietzche não gostava de futebol. Poucos filósofos gostavam no final do século XIX.

Mas de vez em quando sua lucidez era fria e sábia. Até no futebol.

Seu único encontro com a pelota bretã se deu nos jardins da Família Rothschild em Viena.

Os jardineiros ingleses batiam uma pelada, quando de repente, uma briga transformou os jardins da mansão em praça de guerra.

Tudo por causa de uma bola.

Pouco depois, lembrando o episódio, Nietzche escreveu que 'o amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são'.

Assim é a paixão no homem. Assim é a paixão no futebol.

Pergunte a um são-paulino sobre os distúrbios em campo no domingo.

Depois, pergunte a um palmeirense.

Com certeza, haverá duas respostas diferentes. Ambas cobertas de paixão. Ambas repletas de razão.

Pergunte a um flamenguista sobre as lágrimas dos botafoguenses.

Depois, pergunte a um botafoguense sobre as lágrimas dos próprios botafoguenses.

A mesma lágrima carrega em si dois significados.

Certo, errado. Mão e gás. Verde, tricolor. Ganhar, perder.

A beleza do jogo está na bola que chega na rede e liberta o homem. Transformando o esporte em paixão.

Mas, nunca em uma guerra.

A lágrima de hoje é o gol de amanhã. O adversário de hoje somos nós mesmos nas arquibancadas do dia seguinte.

Ou, como diria Nietzche, Nietzche que não gostava de futebol.

'As convicções são inimigas da verdade bem mais perigosas que a mentira'.


Abrindo precedentes

O Presidente Lula anda irritado com os questionamentos sobre a sua mudança de postura, querendo agora bater o pé contra os argumentos do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, no caso da manutenção dos termos do Tratado de Itaipú ao contrário do que fez com Evo Morales no caso da nacionalização do gás na Bolívia.

Para rebater os críticos, parece que o presidente tem respondido que as reivindicações paraguaias são tão verdadeiras quanto o uísque vindo de lá.

Já os argumentos de Morales eram tão puros e "de primeira" quanto a produção nacional boliviana né!?